1 de janeiro de 2011

Apenas um conceito

Dia 31 de Dezembro de 2010, último dia do ano. As pessoas se preparam para a grande virada. Foram 12 meses de diversos acontecimentos onde eu poderia enumerá-las aqui, porém mesmo que eu pensasse muito, ainda assim esqueceria de algo. Então, deixa em off.
Mais um ano que passa num piscar de olhos, e fica o pensamento: - Onde foi que eu me deixei?
Com uma contagem regressiva, uns batimentos cardíacos acelerados e um sorriso idiota estampado no rosto. Neste momento fica esquecido tudo aquilo que você perdeu no ano que passou e substitui-se por novos sonhos que você provavelmente espera que se realizem, mas a realidade quase sempre é cruel e todas as expectativas hipócritas que você cria numa festa sem fundamento algum serão esquecidas no final do ano que acaba de nascer, como forma de proteção, pra você evitar se frustrar e deixar de sonhar.
Tudo fica mais bobo no ano novo: pessoas se perdoam e depois brigam de novo, pessoas juram vidas que nunca terão, fazem promessas que nunca poderão cumprir, fazem planos que depois serão frustrações. E será sempre assim, a mesma saga de todos os anos.
Tudo faz parte desta falsa expectativa de que uma pura mudança de um dígito no calendário irá fazer mudanças como nunca vistas em lugar algum.
Você chupa uvinhas pensando em dinheiro, bota qualquer peça de roupa vermelha buscando amor, pula ondinhas, enche a cara de lentilha e qualquer superstição que você sequer acredita, e tudo em busca de possibilidades que você jamais alcançará fazendo o que está fazendo e olhando para o céu e admirando os fogos de artifícios temporários que em poucos segundos irão ser apenas fumaças. Isto porque sequer cito as pessoas que percorrem sua cabeça enquanto você, num ritual descompassado que você segue a risca, deseja que continue cruzando o seu caminho. Mais fogos são substituídos pelos que já viraram fumaça, e seu coração ainda bate no mesmo ritmo do final da contagem. O céu continua bonito, colorido, e enquanto suas narinas são invadidas pelo cheiro da pólvora, você nem percebe que nem todas as promessas do ano que já se tornou velho, sequer chegaram perto de serem realizadas e esse vago esquecimento é preenchido por novas promessas, talvez até sendo as mesmas.
E o céu continua bonito, mas não por muito tempo.
Você volta a olhar pro céu, em movimentos repetitivos, procura estrelas, procura forma nas nuvens de fumaça, algo para se distrair enquanto espera as pessoas que gastam parte de seu décimo terceiro em fogos de artifício repor essas coisinhas lindas e brilhantes que colorem o seu céu. E você nem percebeu, mas acabou de esquecer uma das promessas.
Quem sabe não sejamos nós os verdadeiros fogos de artifício que estouramos de alegria por vivermos mais um ano e depois, viramos fumaça.
Todos os anos, confesso que mesmo sabendo da realidade, sou mais uma dentre milhões que fazem basicamente tudo isso que foi dito acima. Mesmo às vezes se sentindo como se tudo sempre será esta monotonia. Talvez, os sonhos em mim estejam se acabando, assim como a minha esperança em um mundo melhor. Começo a pensar que vivenciamos cada vez mais a decadência do mundo e de toda a sua sociedade hipócrita e, cada dia mais, medíocre. As vezes penso que é isso que estou celebrando, a decadência do meu próprio mundo.
Sabe, todo mundo tem medo da vida. Todo mundo tem medo do amanhã e acho que é por isso que todos os anos a gente jura ser melhor. A gente busca a perfeição, mas acabamos nos afundando cada vez mais. Talvez, buscando as coisas mais próximas para irmos nos tornando melhores aos poucos.
Parece difícil perceber, mas o ano velho um dia já foi o ano novo, e fica difícil descobrir o que levamos dele.
Agora que você já sonhou bastante, pois hoje já é dia 1º de Janeiro de 2011, é hora de acordar, e lembre-se, primeiro o pé direito no chão, ou quer começar o ano com má sorte?
Pode ser um delírio, ou uma crença besta, mas quando acordar e ver a luz do sol adentrar pela fresta da sua janela, você vai saber que valerá a pena acreditar em cada supertição, em cada promessa e em cada desejo. Por que são as crenças que movem nossos pés na estrada que chamamos de VIDA.
Enfim, continue sonhando, pois mesmo não dando certo, sonhar sempre há de valer a pena. São eles quem move a vida e nos fazem acreditar que “enquanto houver sol, ainda haverá esperança”.