
O silêncio da noite é profundo demais, o ponteiro do relógio é o único som que consigo ouvir. Mas meu coração bate tão forte que tenho a impressão de quase conseguir ouvi-lo também.
Os pensamentos que me invadem não permitem que eu durma. É tudo tão complicado que não posso nem ao menos dizer como me sinto. Não sei dizer se estou bem, mas não posso dizer que não estou. Se estava sorrindo há algumas horas, por que choro agora?
Eu me lembro quando o problema era a incerteza do futuro. Agora já não sei o que fazer com a incerteza do presente. Não sei o que está acontecendo à minha volta e não há ninguém para me ajudar a entender o que acontece aqui. Não há ninguém capaz de entender. Se nem eu mesma consigo entender, quem poderia? Se eu mesma não me sinto capaz de falar, quem seria capaz de ouvir? Quem poderia compreender?
A cada passo que dou me pergunto se estou realmente seguindo em frente ou se estou retrocedendo. Talvez isso tudo não me faça bem. Mas não há nada que eu possa fazer para mudar a situação. Preciso continuar caminhando, mesmo que não esteja andando para frente.
Enquanto não sei para onde caminho, tudo o que posso fazer é respirar fundo, encarar o escuro e ouvir meu coração batendo compulsivamente.
